Orçamento para 2022 e construção de centro de treinamento são destaques de reunião do Conselho Deliberativo

O orçamento proposto pelo Conselho Diretor para 2022 é a principal pauta que será discutida na reunião do Conselho Deliberativo, marcada para quarta-feira (15), a partir das 19h. O presidente da comissão que analisa o tema, João Wellisch, afirma que, por se tratar de um valor global próximo de R$ 60 milhões, o plano orçamentário requer uma verificação responsável e minuciosa.

“Os trabalhos da Comissão de Orçamento foram realizados com transparência e harmonia, sem interesse de privilegiar qualquer setor do Clube. Voltamos nossos esforços, exclusivamente, para o interesse comum dos associados e levamos em consideração a estrutura operacional do Iate e o contexto econômico atual pelo qual estamos passando”, garante.

Com as limitações impostas nos exercícios de 2020 e 2021 em razão da pandemia de covid-19, Wellisch explica que a tendência é que, no ano que vem, a performance seja semelhante à de 2019, com mais investimentos. Na proposta orçamentária enviada ao Conselho Deliberativo, a gestão do Clube sugere reajustar em 15% os valores das contribuições fixas e variáveis como principal fonte de receita para que as despesas totais sejam suportadas. Dessa forma, a contribuição de manutenção de sócios patrimoniais subiria dos atuais R$ 495 para R$ 569,25, em 2022. A ideia é que seja criada ainda a contribuição para convite comum (R$ 40).

“A comissão entende que a cobrança de R$ 40 sobre os convites comuns não é adequada, por se tratar de um direito dos sócios. Por isso, nossa sugestão é que o sócio passe a ter o direito a dois convites comuns por mês, podendo ter outros dois convites extras ao custo de R$ 50 cada. Acreditamos ser uma equação mais justa”, defende Wellisch.

Na composição das receitas, o Conselho Diretor propôs também um acréscimo de mais 15% nos preços das vagas para embarcações, o que significaria um reajuste total de 30% para os sócios que utilizam esse serviço oferecido pelo Setor Náutico. No parecer, a Comissão de Orçamento se posiciona contra essa majoração, por entender que ela é cumulativa e “resulta em valor insignificante (menor que R$70.000,00)” em relação às demais receitas.

Contribuições de dependentes

No esforço de atrair os dependentes, especialmente os jovens, a permanecerem ou regressarem ao quadro social, João Wellisch aponta que a comissão propõe reduzir os valores das contribuições indicados pelo Conselho Diretor. Para dependentes de sócio patrimonial (pai, mãe, sogro e sogra), a cobrança passaria a ser de R$ 120, em vez de R$ 135,82, e de R$ 60 para esse mesmo grupo com idosos maiores de 80 anos, ao invés de R$ 67,85. No caso de filhos, enteados e irmãos que tenham entre 18 e 25 anos, o preço cairia de R$ 172,04 para R$ 120. Para os dependentes com mais de 25 anos que se enquadram no mesmo recorte, a taxa diminuiria de R$ 285 para R$ 150.

Outro ponto do orçamento que pode sofrer alteração, caso aprovado pelo plenário do Conselho Deliberativo, é o que diz respeito à cobrança de uma contribuição de aplicação patrimonial, de R$ 119, para todos os sócios proprietários de títulos, incluindo os remidos e especiais. Esse valor, proposto pelo Conselho Diretor, seria destinado para atender os investimentos previstos no exercício de 2022, tendo arrecadação total estimada em R$ 5,5 milhões.

Entre os projetos e obras listados pela Administração do Iate, estão a reforma da antiga Sede Social, substituição de equipamentos da Academia e a modernização e reestruturação do Parque de Informática. Esse investimento em Tecnologia da Informação (TI) e outros considerados de menor valor, como os acima citados, estão aptos a serem executados por terem sido devidamente esclarecidos pelo Conselho Diretor, segundo avaliação da Comissão de Orçamento.

A comissão de orçamento ainda não teve acesso detalhado aos pareceres técnicos das obras e intervenções maiores, como o Centro de Treinamento, a compra de mobiliário e a readequação do Bar do Farol, assim como da Antiga Sauna. Por isso, Wellisch informou que a análise técnica não poderia ser feita com o aprofundamento necessário.

Para contornar essa situação, a Comissão propõe que a contribuição mínima de aplicação patrimonial seja estabelecida em R$ 49 e sugere que o plenário do Conselho Deliberativo vote separadamente os projetos acima destacados, acrescentando um valor cumulativo à contribuição mínima para cada item aprovado.

“Essa conta se baseia na premissa de que, para cada R$ 1 acrescido na contribuição mínima, haverá incremento de R$ 46.560,00 nas aplicações patrimoniais. Em um exemplo prático: se a maioria dos conselheiros, na votação em plenário, entender que deve ser aplicado R$ 1 milhão e 250 mil no Centro de Treinamento para atletas, deverá ser aprovado o incremento de R$ 26,85 sobre a contribuição mínima. Portanto, o valor da cobrança de aplicação patrimonial passaria de R$ 49 para R$ 75,85. Essa compensação passa a ser cumulativamente adicionada para cada novo custo incluído no orçamento, ou seja, para cada obra aprovada”, exemplifica Wellisch.

Despesas com eventos sociais

Ao observar os números das despesas correntes do Clube, um tópico chamou a atenção da Comissão de Orçamento: os gastos com eventos sociais. No planejamento para 2022, o Conselho Diretor separou R$ 1,1 milhão para despesas com alimentação e bebidas para confraternizações.

“Isso saltou aos nossos olhos e estamos recomendando um corte substancial, até porque essas despesas não se encaixam como despesas operacionais do Clube, como especificado no relatório orçamentário. Na verdade, a maior parte desses recursos vem das contribuições pagas pelos associados. Assim, entendemos que esses gastos estão desalinhados com o modelo de austeridade e responsabilidade fiscal que vinha sendo adotado”, ressalta João Wellisch.

Sob o argumento de manter uma gestão eficiente, a comissão submeterá à aprovação do plenário do Conselho Deliberativo uma redução de 15% (R$ 1,2 milhão) nos recursos destinados inicialmente às despesas operacionais, cortando pela metade o orçamento para despesas com alimentação e bebidas para eventos sociais – de R$ 1,1 milhão para R$ 583 mil. Os outros R$ 622 mil saem do corte linear nas demais despesas da categoria “suporte aos eventos”, que inclui, por exemplo, gastos com troféus, medalhas, promoção e divulgação de eventos.

Na mesma linha, é indicada pela Comissão de Orçamento a diminuição nas despesas com pessoal em dois itens: enxugar o percentual previsto de reajuste da remuneração dos colaboradores de 11% para 6%, que recai sobre as despesas com proventos e encargos, além de reduzir em 10% os serviços pagos pelo Clube por RPA (documento que formaliza o pagamento para serviços e vendas prestadas por pessoas físicas para empresas). Se aprovado, o racionamento seria de R$ 1,08 milhão no orçamento.

“Os ajustes propostos pela comissão consideraram um aspecto muito importante: a capacidade operacional do Clube para realização de reformas, modernizações e investimentos. Nossa expectativa é que tenhamos uma economia total de R$ 2,29 milhões, somando os cortes de despesas com eventos e com pessoal. Isso permite, em contrapartida, a redução nas contribuições originalmente propostas e garante reservas para melhor gestão do Clube”, completa Wellisch.

Infraestrutura

Além do orçamento para o exercício de 2022, o Conselho Deliberativo vai apreciar quatro obras, entre elas a do Centro de Treinamento Esportivo. No parecer sobre a troca dos parques infantis próximos às churrasqueiras e à Piscina da Baleia, a Comissão de Infraestrutura defende a aprovação da substituição completa dos playgrounds.

No espaço infantil das churrasqueiras, haverá instalação de piso emborrachado nas cores verde, grená e cinza, onde há, hoje, um piso em concreto. Na área das crianças que cerca a Piscina da Baleia, também está prevista a troca do piso emborrachado. Segundo o presidente da Comissão de Infraestrutura, Luiz André Almeida Reis, as modificações dos brinquedos e pisos são necessárias para que o Clube se adeque às normas e garantam a segurança dos pequenos frequentadores.

“Nessa mesma linha, também somos favoráveis à reforma do fraldário, que passará por adequação e reformulação para melhor atendimento aos bebês e usuários, além de se tratar de uma demanda recorrente dos sócios. Pelo que podemos observar no projeto de arquitetura, entendemos que o novo espaço passará a oferecer mais qualidade e conforto”, aponta. A obra custará R$ 50 mil, valor destinado à contratação de serviços prestados por empresas especializadas. Já a parte de demolição, adequações elétricas e hidráulicas, marcenaria e pintura será executada pela Diretoria de Engenharia, com custos ainda não especificados pelo Conselho Diretor.

Outra obra considerada importante que será submetida ao plenário do Conselho Deliberativo é a construção de uma nova entrada, mais confortável e segura, para a Piscina da Baleia e a instalação de uma nova cobertura para valorizar o patrimônio do Clube. “Sugerimos ao Comodoro que aproveitasse a intervenção no espaço para corrigir falhas de acessibilidade nas rampas e nos portões de acesso. Nossa sugestão foi prontamente acatada. Por ser de um serviço relativamente simples, essas adaptações serão feitas por mão de obra própria do Clube”, enfatiza Luiz André Almeida Reis.

O projeto do Centro de Treinamento Esportivo vai requerer um julgamento pormenorizado, visto que possui duas etapas. De acordo com a Diretoria de Engenharia, o espaço onde será edificado o CT está localizado entre o Bar do Farol e o ponto de abastecimento. Atualmente, há no local o gramado e o prédio do antigo DOL. Pela proposta de execução da primeira etapa, prevista para ocorrer entre 2022 e 2023, será necessária a demolição da estrutura.

Já a segunda etapa da obra, a garagem de barcos, será edificada no subsolo do gramado, com acesso pelo nível inferior, onde se encontram as vagas para veleiros – o que facilitaria o acesso dos barcos até a rampa de descida ao Lago Paranoá. De acordo com o projeto, nesse espaço ficarão guardados os barcos da classe Optimist, utilizados pelas crianças de 8 a 15 anos na Escola de Vela.

Segundo Luiz André Almeida Reis, a iniciativa de construir um centro de treinamento para os atletas do Iate vai ao encontro da necessidade de um espaço específico para aulas teóricas e treinamentos físicos de diferentes modalidades esportivas. “Com a construção do Centro de Treinamento, podemos proporcionar uma estrutura de qualidade, que estará disponível aos competidores que defendem a bandeira do Clube durante todos os dias da semana. A previsão é que o CTE tenha dois pavimentos, com três salas de aula com capacidade para atender 75 atletas, três salas para treinamento funcional com capacidade para 44 atletas, vestiários, sala para árbitros, varanda com vista para o lago, além de banheiros”, elenca.

A previsão do departamento de Engenharia é que se gaste R$ 2,6 milhões na edificação do centro de treinamento. A Comissão de Infraestrutura sugere que o valor não ultrapasse R$ 2,5 milhões e que os serviços finais sejam feitos pelo próprio Clube, a fim de reduzir o montante final da obra.

Apesar de considerar importante que haja espaços para treinamento dos atletas do Iate, o integrante da Mesa do Conselho Deliberativo, Silvio Bonfim, considera necessária uma reflexão mais detida sobre o melhor momento para investir nessa obra, principalmente por conta do momento de recessão financeira pelo que o país passa. “O Clube poderia aproveitar a estrutura já existente, como a Academia e os serviços de fisioterapia e nutrição. Isso demandaria um investimento menor e traria resultados mais palpáveis e imediatos”, argumenta Bonfim, que defende que o assunto seja amplamente discutido entre a direção e o quadro social.

Em relação à segunda etapa do projeto, por conta da complexidade da obra e do orçamento estimado em R$ 3,7 milhões, a Comissão de Infraestrutura se manifestou de forma contrária à obra da garagem de barcos, com a sugestão de que o Setor Náutico estude uma nova opção de espaço para abrigar as embarcações.